Eu adorava Heath Ledger, não só pela beleza, mas principalmente por ele ser um excelente ator, e ter um charme próprio que eu gostava muito de ver em cena. Depois de sua morte, só fica a vontade de ver os filmes que ele ainda tinha por fazer, mas que não vai mais.
A revista americana Vanity Fair publicou um especial sobre os últimos dias do ator, e uma seleção de fotos de seu início de carreira, aos 22 anos, quando foi capa da revista também. (veja galeria)
O artigo é assinado pelo famoso jornalista de celebridades Peter Biskind. No seu artigo, ele explora o último papel representado por Ledger, suas dúvidas em relação a Hollywood, sua devoção pela filha, e o que aconteceu nas semanas que se seguiram até sua morte, em 22 de janeiro de 2009, apos uma superdosagem de medicamentos.
Sei que não é a política do Pipoca colocar posts imensos como este, mas vocês me permitam abrir uma exceção. Abaixo, seguem pedaços do especial.
Sobre as possíveis causas da morte
O cineasta Nicola Pecorini, que trabalhou com Ledger no seu último filme, “The Imaginarium of Doctor Parnassus”, afirma que Ledger “fumava marijuana regularmente, assim como provavelmente 50% dos americanos.” Mas quando isso se tornou um problema, Ledger “ficou limpo.” E o treinador de voz Gerry Grennell, que trabalhou e viveu com o ator durante a filmagem do Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight), afirma que Ledger até mesmo parou de beber: “Heath ia com satisfação para um bar, pagava uma rodada para seus amigos e voltava para casa para beber um refrigerante ou um suco, sem por nenhuma vez beber álcool.”
O que mais preocupava Grennel em relação à saúde de Ledger era o fato dele utilizar remédios para dormir para combater uma insônia crônica no final da vida. “Eu disse a ele: “Se você puder pelo menos suportar parar de tomar as medicações, pare, porque elas parecem não estar lhe fazendo nenhum bem’. Ele concordou. É muito difícil para mim imaginar o quão perto de parar de tomá-las ele chegou.”
Conta-se que Ledger passava noite após noite sem dormir, se distraindo com passatempos, como rearrumar a mobília em seja lá qual fosse o espaço em que ele estivesse morando no momento. Grennell o ensinou a técnica Alexander, que o ajudou a dormir por algumas horas de cada vez, mas ele ainda lutava.
“Cada pessoa tem uma visão das coisas diferente de como ele morreu,” Grennell conta a Biskind. “Da minha perspectiva, e conhecendo-o tão bem quanto eu o conhecia, e estando tanto ao redor dele quanto eu estava, foi uma combinação de exaustão, medicação para dormir … e talvez os efeitos colaterais do resfriado. Acredito que o corpo apenas parou de respirar.”
Sobre seu casamento
Terry Gilliam, amigo e mentor de Heath Ledger, e o diretor do filme Doctor Parnassus, concorda com Pecorini que o romance entre Ledger e Williams começou a ficar complicado durante a campanha do Oscar para “Brokeback Mountain”. “Toda a máquina começou a crescer ao redor deles,” afirma Gilliam. “Este foi o momento quando tudo mudou, quando ele percebeu, ‘Opa. Percebemos o mundo de forma diferente’. Ele não ligava para coisas como aqueles prêmios.”
De acordo com Pecorini, “Heath estava sempre se culpando [sobre o relacionamento], perguntando, ‘O que eu fiz de errado?’ O final do casamento, com seus muitos advogados e disputas pela custódia da filha pequena Matilda contribuíram para arrasar Heath.
Sua devoção pela carreira
Seu sofrimento na vida pessoal coincidiu com a filmagem do filme Parnassus, de Gilliam, mas ao invés dos problemas distraírem Heath do trabalho, Gilliam acredita que isso ajudou-o a se concentrar na tarefa que tinha em mãos, diz ele a Biskind. Um dia, ele apareceu no estúdio com a aparência de estar muito doente, afirma Gilliam. O médico disse a ele que era o começo de pneumonia e que ele devia tomar antibióticos e ir para casa descansar. De acordo com Gilliam, Ledger disse, “De jeito nenhum, Eu não vou para casa, porque não consigo dormir, e eu ficaria só pensando sobre a situação. Eu prefiro ficar aqui e trabalhar.”
Apesar dele “chegar pela manhã completamente arrasado, no final do dia ele estava radiante, irradiando energia. Era como se tudo fosse colocado no trabalho, porque essa era a alegria; isso era que ele amava fazer. As palavras jorravam. Era como se ele fosse um canal”.
A apatia de Ledger pelo estrelato
O amigo e agente de Ledger, Steven Alexander, conta a Biskind que Heath “estava sempre hesitante em estrelar um blockbuster de verão, com os bonecos dele mesmo e todo o barulho que geralmente é feito para divulgar estes filmes. Ele tinha medo que isso o definiria e limitaria suas escolhas.” De acordo com amigos de Ledger, uma das razões pelas quais ele concordou em participar de Cavaleiro das Trevas foi o fato das filmagens serem incomumente longas, o que lhe daria uma desculpa para recusar outras ofertas.
Alexander conta a Biskind que Heath tinha um acordo de “pay-or-play” em relação a The Dark Knight — que lhe permitiria ser pago não importa o que acontecesse, então ele sentiu que tinha liberdade para fazer o que quer que ele quisesse como o Coringa. De acordo com Pecorini, Ledger esperava que sua performance seria tão inconvencional que ele seria demitido, e assim se beneficiaria com férias pagas e prolongadas.
“Ele estava pronto para sair pela porta, mas o que realmente não queria era se tornar algo como um ídolo de matinê”, afirma Alexander. “Ele era uma pessoa privada, e não queria compartilhar sua história pessoal com a imprensa. Ele não estava disposto a se colocar à venda. Não era motivado por dinheiro ou por estrelato, mas pelo respeito de seus colegas, e pelas pessoas que saíssem do cinema após terem visto um filme seu e dissessem ‘Uau, ele realmente desapareceu nesse personagem.’ Ele estava se esforçando para se tornar um ‘ilusionista,’ como ele costumava dizer, capaz de criar personagens que não estavam lá.”
Fonte e fotos: Vanity Fair
Cristiano Banzato
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