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Crítica: Star Trek (2009)

Publicado 07 Mai 2009 por Mario Pertile

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Star Trek JJ AbramsAntes de proferir elogios incansáveis à última obra de J.J. Abrams e ao próprio, vale ressaltar que a idéia principal de Star Trek é contar as origens dos tripulantes da U.S.S Enterprise, nave espacial imortalizada no coração dos Trekkers durante todo o desenvolvimento da franquia nas últimas quatro décadas.

A grande sacada dos roteiristas Roberto Orci (roteirista de Transformers e do seriado Fringe) e Alex Kurtzman (Missão Impossível III e roteirista adjunto de Transformers) foi aproveitar-se do argumento de manipulação do tempo para, ao invés de criar uma espécie de filme “Zero”, contar a história de Kirk e Mr. Spock desde a infância, utilizando para isso o ponto de vista de espaço/tempo do vilão Nero. Desta forma não foi preciso resetar 79 episódios e 10 filmes da série para contemporaneizar a franquia.

A solução foi contextualizar os protagonistas em um lugar deslocado na linha do tempo sob o ponto de vista do vilão. Nero busca vingar-se de Spock, no futuro, por que a Enterprise não conseguiu impedir a destruição de seu planeta, porém, durante uma tempestade solar, a nave de Nero entra em um buraco negro, voltando ao passado, anos antes do nascimento de Spock, sem ter conhecimento de onde se encontra na linha do tempo.

Sem mais spoilers, passamos agora a análise da obra fílmica em si. J.J. Abrams e seus companheiros já demonstraram no seriado Lost e em sua mais recente produção cinematográfica antes de Star Trek, Cloverfield: Monstro, que, além de saberem lidar magistralmente com o assunto “ponto de vista”, são, sem exagero, os reis do marketing no cinema atual.

Lembramos aqui toda a campanha viral criada sobre o caso Cloverfield, que envolveu vídeos no YouTube, criação de empresas fictícias e teorias de conspiração verossímeis em um universo expandido de realidade alternativa que tirou o sono de internautas - e isso não é só uma força de expressão – de todo o mundo durante um ano inteiro antes da estréia e Star Trek traz muitas dessas referencias. Algumas até escancaradamente, como quando Kirk está em um bar e pede a bebida Slusho, marca fictícia de uma bebida misteriosa retirada do fundo do mar pela empresa Tagruato através de plataformas submarinas sob procedimentos duvidosos, plataformas essas que foram os primeiros alvos do monstro de Cloverfield nos virais em formato de tele-jornais espalhados pelos sites de compartilhamento de vídeo. Mas não é só isso, o estilo de câmera documental com o intuito de dar mais veracidade à cena também está presente em uma porção generosa de Star Trek, claro que guardadas as proporções artísticas da estética vintage-futurista da série.

Falando em estética, este é um dos pontos fortes da película, que traz uma direção de arte impecável de ambientes, figurino e maquiagem, casando com a direção de fotografia que enquadra a ação em um timing perfeito de atuação, intercalando-a com os diálogos e primando sempre pela veracidade do acontecimento em questão sem perder o bom gosto plástico.

O compositor Michael Giacchino, que trabalha com J.J. Abrams em suas séries e assinou composições de filmes como Os Incríveis, Missão Impossível III, Speed Racer e jogos de grandes franquias de sucesso como Call of Duty e Medal Of Honor, deixa aqui sua marca registrada em melodias que soam como um épico-derrotista-ascensor, excelente opção para uma obra que pretende ilustrar origens de algo ou alguém. Suas composições são famosas entre seus fãs por transformar o som dos metais da orquestra em nervosos catalisadores para a trama, com combinações de acordes inesperadas e seqüências e tempos que podem surpreender até os de ouvidos mais aguçados. Em Star Trek esta química não poderia ficar de fora e a trilha sonora sem dúvida se torna um grande personagem desde a introdução.

O ponto forte do filme é a humanização da série, dando ênfase à personalidade dos personagens e mostrando os meios que levaram a cada construção de caráter, não definindo um único protagonista, mas sim, colocando todos os elementos pessoais como peças importantes da trama. A pirotecnia tecnológica, muitas vezes maçante, presente em toda a série, o que sempre foi um fator fundamental para o distanciamento do público menos fanático que taxa a franquia como nerd ou geek, como o extremo detalhamento em explicações e atenção dada em demasia para instalações da Enterprise e de outras locações, ficaram em segundo plano para que os personagens pudessem se desenvolver, fazendo com que a fita ganhe muitos pontos com os leigos no universo Trekker, sem tirar a magia para os espectadores assíduos, que terão a chance de vivenciar e testemunhar a origem de seus personagens queridos sob uma ótica nunca antes vista.

Star Trek de J.J. Abrams é uma obra simples, sobre pessoas, ações e reações, que trata de manipulação do tempo, estereótipos sociais (mesmo que não sejam da nossa atual sociedade) e quebra de paradigmas e preconceitos, em uma roupagem futurista, com efeitos especiais sublimes e ótimo tratamento estético. É nostalgia e renovação na medida certa, para agradar a gregos, troianos e vulcanianos. (Mário Pertile).

Confira informações oficiais detalhadas com notas da produção clicando aqui.

Para conferir fotos do filme, clique aqui.

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