Crítica: Anjos e Demônios

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anjos e demoniosChega às telas brasileiras a aguardada continuação de O Código Da Vinci, Anjos e Demônios, dirigido por Ron Howard (do primeiro filme) e baseado na obra de Dan Brown, que também assina a produção executiva. Tratando a película como uma franquia cinematográfica propriamente dita, descartando a informação de que se trata de uma adaptação da literatura para o cinema, Anjos e Demônios é um bom filme de investigação e caça de pistas. A dinâmica do roteiro é um tanto quanto diferente do seu antecessor, uma vez que não abusa dos efeitos de flashbacks, tornando-se assim mais linear e menos cansativo de acompanhar. Sem os recortes temporais, sobra mais tempo para o desenvolvimento da história presente, que por sinal, apesar de bastante previsível, prende o espectador até o último minuto, afinal, segredos da igreja católica são sempre assuntos instigantes.

Ron Howard é um ótimo diretor, que consegue transformar detalhes insignificantes em grandes objetos de atenção (vide Uma Mente Brilhante, onde o diretor consegue transformar o rústico Russell Crowe em um perfeito esquizofrênico introspectivo). Aqui ele consegue elevar o nível do personagem de Tom Hanks, que no primeiro filme estava um tanto quanto deslocado do contexto, parecendo interpretar a ele próprio. Em Anjos e Demônios, Tom Hanks tira a roupa de “Tom Hanks” e realmente veste a carapuça de Robert Langdon, desta vez confeccionando um personagem crível e inserido no clima conspiratório que envolve o filme em todos os instantes da projeção.

Apesar da ótima direção e uma linha de roteiro acertada, Anjos e Demônios é um filme muito extenso e é exatamente isto que o torna previsível, como supracitado. Após a prévia resolução da trama, ainda resta em torno de 20 minutos de filme a ser desenrolado pelo projecionista, o que sugere uma óbvia reviravolta, pois, do contrário, não haveria mais nenhum motivo para expectativa. E a segunda parte do final é exatamente como imaginávamos no início do filme.

Sem mencionar spoilers, talvez o problema da obviedade seja a escolha do ator Ewan McGregor, pois o mesmo tem imbuído em sua face um caráter ou de extremo mocinho, ou de extremo bandido, nunca um meio termo que deixe o público em dúvida. A escolha de um ator menos expressivo pouparia dinheiro e tempo de produção, pois é impossível imaginar que em um filme que já possui o oscarizado Tom Hanks no elenco, havendo a necessidade da escalação de outro ator de grande porte, este passe por mero coadjuvante durante todo o enredo. Ok, quem já leu o livro já sabe de tudo. Mas quem não leu não precisa saber, pelo menos até terminar o filme.

Desconsiderando o porém técnico da escalação, um dos responsáveis pela previsibilidade, Anjos e Demônios é um filme tenso do início ao fim, extremamente bem dirigido e editado, que leva o espectador por perseguições nervosas pelas ruas do Vaticano e por sua bela arquitetura, explicando os enigmas de forma respeitosa e sem subestimar o cinéfilo, dando tempo para que o público tire suas conclusões, corretas ou não, antes das revelações (diferente do que acontecia em O Código da Vinci, pois neste, tudo era apresentado e demasiadamente explicado, perdendo o grande potencial que apresenta a obra de Dan Brown: a interatividade com a história).

Anjos e Demônios honra o valor do ingresso e é uma ótima opção para o final de semana. O conselho é não exagerar no tamanho do combo de pipoca gigante com refri de 500ml, pois acredite, apesar do tempo de duração do filme, a última coisa que você vai lembrar é de comer a pipoca. (Mário Pertile)

Confira aqui as informações oficiais e notas da produção, além de explicações fundamentais para um melhor entendimento da trama.

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