Dentro de todas as qualidades contidas em A Mulher Invisível, destaca-se o nível da produção, de padrões Hollywoodianos, tanto no que diz respeito ao som, quanto no que diz respeito a imagem, passando pelo roteiro e atuações.
A obra escrita, produzida e dirigida por Cláudio Torres (Redentor) traz a história de Pedro, interpretado por Selton Mello, marido perfeito que, após sofrer uma reviravolta no seu casamento, descobrindo que sua mulher está grávida de outro homem e está de partida para Alemanha, entra em depressão e começa a reviver a vida de solteiro. Cansado de pegar uma (ou duas, ou três, ou várias ao mesmo tempo) mulheres por dia, sua depressão piora e ele entra em surto, se afastando de tudo e de todos, a ponto de cometer suicídio. É aí que entra em cena Luana Piovani, interpretando Amanda, a nova vizinha que vem pedir a famosa xícara de açúcar. Começa então um relacionamento entre Pedro e sua mulher ideal, que não briga, não reclama, adora futebol, está sempre lhe esperando com uma lingerie especial e um drink após o trabalho, sem falar é claro no corpãozão.
Ela nunca sai de casa e não faz questão de conhecer os amigos de Pedro, o que deixa seu melhor amigo Carlos (Vladimir Brichta) desconfiado e pedindo seguidamente provas da existência da tão comentada “mulher perfeita”.
A Mulher Invisível, diferente das espectativas geradas em torno da produção, é um obra madura, engraçada na medida certa, que prende o espectador até o último minuto (incluindo os minutos finais dos créditos sob a trilha de She’s a Sensation executada pelos Ramones). A trilha sonora é um show a parte, iniciando com Janis Joplin e encerrando com o punk rock novaiorquino. É um daqueles filmes que dá gosto de assistir, pois notamos o grande cuidado estético da produção nos mínimos detalhes, desde os movimentos de câmera até às trilhas incidentais. Estas inclusive, já na cena inicial, mostram a que vem, dando um clima das melhores produções cômicas de Hollywood, casando uma imagem suburbana do Rio de Janeiro como uma metrópole engarrafada, ao invés de praias, Copacabana e afins, no melhor estilo dos filmes de Woody Allen.
Selton Mello dispensa comentários e seu destaque no filme é a cena da reunião mais importante do departamento de controle de tráfego do Rio de Janeiro, onde trabalha seu personagem, recebendo o governador do estado, interpretado por Lúcio Mauro. Na cena, Amanda está furiosa com Pedro, que começou a ignorá-la após descobrir que ela é invisível e que só ele a enxerga e a escuta. Na ocasião exata da chegada do governador, onde nada poderia dar errado, Amanda começa a gritar no ouvido de Pedro, até ele não aguentar mais e ter um surto de raiva no meio da reunião, em frente ao governador. Hilário. Hilário.
Se você ainda tem dúvidas se vale ou não apena assistir A Mulher Invisível, clique aqui e confira uma cena exclusiva que não está na versão dos cinemas e tire suas próprias conclusões. Mas segue a dica: A Mulher Invisível é uma ótima opção para o final de semana. Vale o ingresso mais caro. Se tiver inseguro, ainda, pode ir durante a semana no dia dos ingressos mais baratos em sua cidade. O fato é que o preconceito contra o cinema nacional deve ficar em casa. Ou melhor, fora dela. Não deixe de curtir sozinho ou acompanhado, com pipoca ou sem pipoca, visível ou invisível. (Mário Pertile)
Bardinho
27 Fev 2010 - 11:45 - #1Muito bom esse filme, gostaria de ter a trilha sonora, alguem sabe onde conseguir????
Eder
29 Mar 2010 - 10:05 - #2A trilha sonora é tão boa que não se encontra em lugar algum o nome das músicas.